domingo, 15 de junho de 2014

Uma última noite...

Repenso e repenso... Volto a pensar e a perguntar-me: "E se..." Nunca tentámos... Sempre me acomodei a ti, a ter-te sempre quando um ou outro quiséssemos. Nunca mais que cem dias, que cem horas... Era apenas fugaz, era apenas aventureiro. Sei que poderia refugiar-me nos teus braços e não pensar mais. Sei que fosse qual fosse o motivo, a gente encontrava-se, onde quer que fosse, como fosse... Sempre vivi com medo de que o que sentisse estragasse, ou nunca funcionasse se fosse doutra maneira. Se de repente a liberdade que via nos teus olhos, um dia nos prendessem e tudo ficaria perdido num olhar de arrependimento, ou tudo pura e simplesmente mudasse, é isso, medo que tudo pudesse mudar...
Todos os dias, tudo muda e muda... E tudo sem retorno. Mas tu, tu, eu não queria que mudasses. Não queria que mudasses esse teu encanto por mim, mesmo que nunca fosse mais de 100 dias... Mesmo que um de nos desaparecesse, ou alguém novo entrasse. Regressava a ti com o maior dos deslumbres, mas sempre a fugir da mudança.
Hoje, lembrei-me que nunca lhe contei da tua existência... E já la vão mais do que 100 dias, muitos mais! Sem contacto, (nunca precisamos), mas hoje senti essa falta... Em discussão feroz, lembrei-me que nunca lhe contei e nunca percebi porquê. Não foi por medo de que ele ficasse com raiva. Nunca lhe dei o direito para isso, mas talvez porque hoje, senti algo nele, o que sentia cada vez que te via. E percebi-me, talvez tivesse saltado de cabeça e nem me apercebesse que, se calhar o meu lugar era noutro sitio. Entreguei a minha liberdade ao sentimento por alguém em quem ainda acho, com toda a convicção, que me prende duma forma que eu gosto. Que me dá equilíbrio e me faz, duma vez por todas, ter de aceitar a rotina duma vida.
Pergunto-me se ele seria capaz? Capaz de me largar por uma aventura, largar o equilíbrio e agarrar toda a liberdade que eu já tive, mesmo sem lhe contar. Nunca foi em momentos iguais... ele apareceu depois de eu dizer a mim mesma que apenas e-mails nunca me bastavam para sentir a tua/minha liberdade. Não bastavam, não eram suficientes e queria sempre mais... Mais implica a consequência de que a única coisa que eu não queria que mudasse, eras tu.
 Então parei...
Perdi-me no contacto e prendi-me a um novo sentimento que me fez mudar e gostar. Pergunto-me o porque de não lhe contar e como reagiria. Mas sei que ele não me faria o mesmo... Exagerei na discussão por momentos de ciumes e, ri-me. Ri-me, porque nunca tive de sentir isto... Tudo foi novo, porém apercebi-me que poderia apenas ser atracção, meramente física, o que eu entendo perfeitamente, pelo menos o motivo. Sei reconhecer. Sou Mulher. Mas é só fogo de vista, nota-se que ele nunca olhou-a com os olhos com que eu te olhava, sem ter de sentir a mera atracção que nos atraia como dois pólos distanciados por 100 dias.
Eu sei que ele já pensou em... Ele já quis... Talvez o tenha feito! Choro de pensar... Todavia, aceitei, porque a verdade é que também sinto por ele o que sinto por ti. Ele precisava de perceber que eu estava errada nos ciumes que qualquer mulher tem, ele queria perceber que é por mim que cai de olhares fascinados e mera atracção física por alguém como ela, com quem nunca pode estar. Só me teve a mim, ambos novos e depois de eu tomar a tal decisão que me atormenta.
Atormenta hoje especialmente... Mas é ele... Eu assentei e tive que mudar!
Aquilo que eu não queria que mudasse em ti, em nós, teve de mudar... Não como sempre temi, tememos. Mudou porque terminou... O meu companheiro de liberdade teve de ser levado e continuado na liberdade que já não era eu. Eu acorrentei-te, podes ser sincero! Não mereces isso, quando não era o que eu queria que acontecesse comigo.
Uma ultima noite, eu pensei e lembrei-me de ti como se vivesse de novo, por uma ultima noite.
Uma última noite e eu sei porque nunca lhe contei, nem contarei... Acho que ambos sabemos a razão. E ambos sabemos que a aventura achou o seu rumo e assentou de vez...
Eu fico com ele... Não tomei a decisão de ficar com ele, foi a minha liberdade que escolheu prender-se a ele que me faz sentir bem e gostar de me sentir a partilhar o que resta da minha liberdade, numa relação. Com ele mudou, contigo não muda a recordação!
Parece-te bem? Por favor, "Voa" ... Eu pousei e encorajei-me a aceitar que é isto que tinha de acontecer. Entregar a minha liberdade de corpo e alma, a ninguém melhor que ele!
Uma última noite... Uma e apenas um última noite e despeço-me com todos o carinho deslumbrado pela minha visão nos teus olhos ternurentos ao olhar-me... Eu não lhe conto, não conto a ÚLTIMA NOITE...
No entanto, eu sei que ele o fez, eu noto e sinto o que ele fez...


   "Everything changes... But this? This still hasn't. Not for me. That's a lesson!"

(baseado no filme "Last Night")

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Há sempre uma queda, há sempre um muro: Procuramos diferença e teimamos em ser iguais na originalidade.

Há sempre uma queda... Há sempre um muro... Procuramos mudança, mas não gostamos daquilo que não é mudado por nós... Procuramos diferença e teimamos em ser iguais na originalidade. Repito: há sempre uma queda, há sempre um muro. Há sempre uma rotina, por mais inovadora que ela seja. Na diferença, existe semelhança. E isto, ninguém muda se realmente não o quiser.
Embarquei na mudança que me levava contra a maré e, por alguma razão, acabei por gostar do rumo que foi tomando.  
Existem decisões que temos de tomar, existem momentos em que basta decorrerem.
Há sempre um sofrimento... Há sempre uma dor a "gritar" mais alto... Há sempre uma ferida mal sarada. É preciso tratar de buracos ainda abertos e cicatrizar todas as feridas abertas que ainda nos magoam, mesmo sem ser preciso carregar nelas.
Quando digo Nada, quero dizer Tudo. O tudo e o nada acabam por se igualar na roda viva de emoções. Há sempre incertezas dentro das certezas mais inseguras das nossas vidas.
Pergunto-me o que é que não há, quando sentimos tudo e não queremos sentir nada. A apatia só funciona quando o sofrimento a que nos submetemos, ou melhor, nos submetem já se torna tão presente, que a tolerância a dor se torna maior a cada dia que passa e acabamos por não sentir mais nada... Por tanto sentir, sim, acabamos por não sentir mais nada. Acreditam nisso? Acreditam mesmo nisso?
Acreditar tornou-se recorrente em situações de tamanho desespero, por isso, não interessam as nossas crenças agora. A realidade tornou-se cada vez mais presente, deixou de haver optimismo e deixou de haver extremismo do negativismo. Realista, é o que nos obriga a ser.

Há sempre um mundo, há sempre uma verdade, há sempre um sorriso pronto a ser descoberto. 
Cada um com a sua verdade, cada um com o seu mundo, cada um com a sua batalha para encontrar a felicidade.
Eis a verdade universal: felicidade são apenas momentos que vamos descobrindo e podendo viver de vez em quando, porque na realidade, não podemos permanecer muito tempo na felicidade, sendo esta um estado atingido por momentos "auge" das nossas vidas. Quando damos por nós, estamos novamente a "descambar" na agonia e novamente, a procurarmos a felicidade. Perdemos mais tempo a procurá-la do que propriamente a vivê-la. 
Mas para encontrar esses momentos efémeros de felicidade não precisamos primeiro de nos encontrarmos a nós mesmos?
Eu perdi o meu rumo algum tempo, mas sei que existe um "eu" por aí prestes a ser descoberto.... Há sempre algo perdido em nós, há sempre que nos faz falta para permanecermos completos. Mas bichos teimosos e ambiciosos como somos, não vamos parar de encontrar o que nos completa e quando pensamos que encontramos, é quando percebemos que há mais em nós que está a faltar.
Há mais nesta vida que precisamos de descobrir. Há mais sorrisos perdidos. Há mais no tempo que não apanhamos por ficarmos parados, quando este não parou!
Há mais tanto e há mais nada... Há, é o que há. E teima sempre em haver.... Mas se há, porque não temos o que há? Se não há, porque teimamos em querer ter?
Paradoxos e confusões. Bichos confusos sempre em busca de respostas, para as quais, nem sempre tem as perguntas certas.
Já alguém dizia e diria até, muito bem: "Se queres obter respostas, terás de saber colocar as perguntas certas. Ou nunca ficarás satisfeito com as respostas." Mas algum dia ficaremos satisfeitos com esta insaciável forma de viver? Já nem falo do consumismo, falo apenas de consumir a própria vida e o nosso próprio ser.
Volto a dizer: 
há sempre uma queda, há sempre um muro. Há sempre uma rotina, por mais inovadora que ela seja. Na diferença, existe semelhança. E isto, ninguém muda se realmente não o quiser.
Embarquei na mudança que me levava contra a maré e, por alguma razão, acabei por gostar do rumo que foi tomando. 



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Diagnóstico: Horcruxes (a bem dizer...)

Estava na hora...
Faltavam eles...
Já agradeci tanto...
Mas e porque não? São tão importantes e eu não consigo dizer algo mais? Merecem que as outras pessoas vejam o que eu vejo neles... Merecem muita coisa e, no entanto sinto-me impotente por poder dar tão pouco, mas acreditem, no que depender de mim, será um pouco mais a cada dia que passar.
A minha pessoa, são a minha pessoa.
Que raio significa isto? Significa que não vou precisar de dizer tudo, não vou precisar de tentar me explicar, não vou precisar de me alongar no que quer que seja, não vou precisar de ter de dizer o que sinto, se gosto, se não gosto, se quero, se estou mal. Serem as minhas pessoas é saber exactamente interpretarem-me sem ter de abrir a boca e procurar no dicionário formas de me balbuciar sobre determinados assuntos, circunstâncias e emoções. São Horcruxes, pedaços de mim, bons pedaços, mas que sem eles fico um pouco mais vazia... Com eles, eu sou tudo, por eles eu sou tudo, faço tudo, sinto tudo....
Ao mínimo olhar, ao mínimo toque, sorriso ou gesto,  são eles que me decifram como ninguém.
Não precisam de códigos, não precisam de instruções...Nem os maiores técnicos, hackers conseguem tais proezas, sejamos realistas... Existem técnicos para tudo, mas no que toca a lidar com algo que nos diz tanto, todos se tornam os verdadeiros toscos, à procura da melhor forma e de serem os melhores... Eles, simplesmente e naturalmente, não tentam, simplesmente têm o dom de conseguirem sem esforço.
A amizade não implica apenas esforço e sacrifício, ou se torna natural ou é forçado demais.
Melhor que ninguém, encontraram forma de lidarem comigo sem me sentir julgada, sem me sentir um fardo. Fizeram com que o lidar comigo fosse algo mais simples do que na realidade é, quiseram fazer o esforço de me compreender, mesmo sabendo o que isso implicava e o quão complicado poderia ser.
Sabem o que dizer no momento certo sem ter que lhes pedir. Basta recorrer a eles e saberão o que fazer. De certa forma o nosso triângulo tornou-se a forma geométrica mais perfeita que me completa na vida. Fecham e abrem novos ciclos e deixam-me permanecer em todos os momentos. Genial, incrível, não?
Não fomos feitos para o falar diariamente, para o comunicar incessantemente, para o ficar parado à espera que tudo corra pelo melhor. Não! Nunca fomos a normalidade das amizades vulgares... Sempre deixamos correr, a preocupação manteve-se, as vidas seguiram, mas aparecemos sempre no momento exacto da vida de cada um e acabamos por ficar horas a contar as novidades, tudo o que se passou, tudo o que sentimos. Somos iguais em tanta coisa e tão diferentes nas escolhas que fizemos e isso é o que resulta de melhor em nós.
Sendo sincera, muita coisa mudou, mas não fiquei triste com o que mudou, demorou a habituar-me, a não ter de os ver todos os dias e decifrar apenas o  olhar, sorriso, gesto, balbúcio... Agora, fazemos planos para encontros onde poderemos  novamente  voltar a sentir a segurança, a sentir o nosso conforto nos seus braços.
Nunca vamos ser o comum, nunca seremos a excepção à regra! Não digo que as tristezas e desavenças não aconteçam... Estarão sempre presentes... De alguma forma arranjamos uma maneira estranha, a nossa maneira de lidarmos com o pior de todos e merecermos o melhor de cada um. A Aceitar que agora é assim, termos o direito a sonhar mais e acreditar (mesmo que isso implique entrar numa ilusão, que não acredito que seja), que mais anos nós teremos e que tudo pode mudar, mas em nós, muita coisa não mudou.
Decifraram-me como ninguém, abraçaram-me como ninguém.
Para uma, a mulher da minha vida, a bailarina com uma inteligência incrível e uma pessoa com tanto por conhecer e decifrar, decidida e guerreira com os melhores conselhos, já la vão 20 anos.  Para outro, nerd com o dom das palavras e um jeitinho para se abanar, com os objectivos bem definidos, vai a caminho de 4 anos. São estes anos e mais os que vamos acrescentando, que se tornam nos números perfeitos que me trazem a felicidade que procuro em todo o lado.
A matemática pode ter sentido de humor, para quem nunca a compreendeu. Há quem a domine, há quem escute aqueles que a dominam e brinque mesmo assim. Eu sou a que brinca a escutar o vosso conhecimento que me surpreende mais e mais ainda... Sou a sonhadora e vocês os realistas e racionais que me mantém assente. Cada um com tanta para dar ao outro, cada um com a sua capacidade de ser a "voz da razão" para o outro e, ao mesmo tempo manter o humor perante as piores fases.
A garantia não é para aqui chamada, mas o valor estará sempre presente mesmo que eu não saiba bem o que lhes dizer, como agradecer-lhes ou explicar o que são para mim.
Já pensaram quando vos pedem para escrever sobre vocês mesmos, as coisas que vos passam pela cabeça, o ter de pensar realmente no que somos, se somos mesmo assim... O quão é difícil quando temos de escrever sobre qualquer coisa de nós... Parece que se esgotam as palavras, ou o ego aumenta ou simplesmente a modéstia leva a melhor sobre nós.
Julgo tratar-se do mesmo diagnóstico, porque vocês são e apenas são a minha pessoa, os meus Bons Horcruxes... E escrever sobre a minha pessoa é como escrever sobre mim,sobre pedaços de mim, ter de pensar em algo que ainda temos e queremos descobrir durante muito e muito tempo. Aquele tempo em que a opinião de muita gente se torna mero burburinho que tendemos a ignorar, porque simplesmente não queremos saber. Em constante aprendizagem, constante mudança, constante "loading" para o que vem ainda está para vir....
Irmãos adoptados pela minha família, cuidados com o meu coração e a minha força! 


"I don't have to say a word. They just look at me and see who I am and how I feel and they accept it. They don't try to change it or want to change it. These persons. There's a billion people but I imagine there's only one of them"



sexta-feira, 18 de abril de 2014

É necessário abrir os olhos: os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.

"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver." Gabriel García Marquez


Tento arranjar motivos para sentir o que sinto, tento arranjar razão para tanto desejo. Não há!
Mas gosto de sentir, todos gostamos de sentir algo e eu... Eu sinto tão intensamente que caio na dor da intensidade.
Sofro com o sentir, mas não vivo sem sentir.
A apatia para mim é fútil, é sentir-me inútil até mesmo na minha própria racionalidade.  
Os meus olhos dizem tudo o que tento explicar, tudo o que não consigo explicar. É preciso encontrar a paz interior, é preciso encontrar meio termo no mundo dos sentimentos.
Não gosto de meios-termos, mas sei que preciso de equilíbrio. O que menos tenho é equilíbrio e por vezes, tenho picos de bipolaridade no meu interior.
Aproveitar a vida implica ter de viver de tudo: mesmo que isso implique sofrimento, momentos em que estar presa é tudo o que menos queremos. E ao mesmo tempo, estarmos no pico mais alto da felicidade.
Apercebi-me que o meu sorriso não tem razão para existir, mas uso-o muitas vezes na busca para que tudo corra bem. 
Apercebi-me que a vida tem tendência a piorar antes sequer de melhorar.
Aventuro-me no mundo das emoções e dos sentimentos, ou sinto que da mesma forma não seria eu.
Mas a questão essencial é: Quem realmente eu sou?
Misto de sentimentos contraditórios que vivem em eterno paradoxo.
Nunca fez mal fechar os olhos, nem nunca fez mal abrir de mais... Mas viver em constante intensidade começou a provocar-me dor.
Existem os eternos "e se..." e eu não gosto mesmo nada deles.
Acho que ninguém gosta e no entanto, toda a humanidade vive em constante arrependimento e sofrimento. Muito por culpa própria, mas eu não quero ser assim. Mas em que medida sou eu diferente? simplesmente não sou... Não fui feita para mudar o Mundo sozinha.
Eu fui feita aos olhos da vida, e dos sentimentos que não precisam de motivo, ou desejos que precisem de razões. Fui feita para olhar a vida com olhos de quem quer ver..
Não fui feita para ser espectadora da vida, não gosto que as coisas me passem ao lado, que veja tudo a passar-me. 
Procuro muita coisa, e procuro o contrario de mim também.
CLICHÉS! A vida torna-se um cliché, este texto também.
É preciso para de sobreviver, de respeirar apenas... Já é hora de parar de lutar por isso e só por isso. É preciso fazer mais do que existir...
A lei da sobrevivência eu já passei com sucesso e distinção
, ou hoje eu não estaria aqui. Simplesmente agarrei a oportunidade de viver e a vida encarrega-se de me mostrar isso todos os dias. Porque sofrer e ser feliz, é sentir algo,  é trazer à tona o melhor e o pior de nós.
E se não aprendermos a lidar com o nosso pior, com certeza não saberemos nem merecemos o nosso melhor...

"A vida não é mais do que uma contínua sucessão de oportunidades para sobreviver" 

sábado, 5 de abril de 2014

In Memoriam- Perda d'um Mundo inacabado (referência a PedRodrigues)

In memoriam 


"E no final das contas descalcei-me e deixei que a areia se misturasse com os meus dedos. Avancei, sem medo, até onde as ondas partiam. A água gelava-me os ossos. Naquele momento pensei “se me deixar ir, acabou-se”. Mergulhei e deixei que a água salgada diluísse os meus pensamentos. Parei de respirar por instantes. Fiquei suspenso numa espécie de duelo de memórias. Em todas elas assombravas-me. Perseguias-me através do tempo. Não me deixavas partir. Bastava que me largasses a mão. “Larga-me a mão”, pensava. Mas tu não largavas. Não por teimosia. Nunca por teimosia. Não estavas preparada, só isso. Eu ali, no meio daquele mar, tão imenso, tão gelado. “Deixa-me ir” implorava-te. Tu não deixavas. Querias que ficasse. Nem que fosse apenas por um segundo. Querias que ficasse e te dissesse que tudo estava bem. Não estava. Na imensidão do mar percebi a minha pequenez. Nas mãos daquele gigante líquido eu era apenas uma migalha. Percebi a minha pequenez. “Deixa-me ir”, mas tu não deixavas. Para ti não era apenas uma migalha. Era mais que isso. Plantaste em mim o teu mundo e viste-o crescer nos meus olhos. Também tu foste o meu mundo. Continuas a ser o meu mundo. Conheço todos os meridianos do teu corpo. Plantei em ti o meu mundo e vi-o crescer nos teus olhos. E assim sendo, eu fico e não vou. Fico por ti. Porque te amo. Porque te preciso. Eu fico e não vou. Deixa-me só sair daqui. Deixa-me só regressar. Não me deixo ir. Busquei um pouco de ar. Nadei até terra e deitei-me de barriga para cima, na areia. O meu corpo estava gelado e não estavas lá para me aquecer. Agarrei-me ao que restava de ti, às memórias de ti, e levantei-me. Olhei o céu uma última vez à tua procura. “Se me tivesse deixado ir, acabava-se”, mas tu não me deixaste ir. Querias que ficasse. Por isso fiquei. Por ti fiquei. Porque apesar de ter perdido o meu mundo, não permito que percas o teu." - PedRodrigues (http://pedrodrigues.blogspot.pt/2014/03/in-memoriam_26.html)

Quando as minhas palavras não bastam para explicar o quanto me perdi nesta jornada, em todas as jornadas. Na jornada até de pertencer ao teu mundo como eu sei que pertenço e sempre pertenci, mas nunca o senti verdadeiramente. Porque tu, tu não permitiste, escondeste, omitiste e finges que estás melhor assim.
Que estejamos todos bem assim... Não percas o teu rumo, como eu estou a perder o meu. Um dia vou-me encontrar, e talvez aí eu já encontre o mundo a que pertença, e o carinho permaneça em todas as eras da vida a que o tempo um dia me levou!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Crónica da Amizade Intemporal: Correntes do tempo

Procuro muitas vezes as palavras que me faltam para expressar o que ainda ficou por transmitir.
A verdade é que, não há nada que consiga fazer para que isso aconteça, principalmente, quando é algo que me transcede.
É puro com todas as suas chagas, todos os seus detalhes, todos os seus pseudo-dramas, dramas e dramatizações. Especulações, esperanças, ternura, carinho e, por vezes, insegurança de tanta segurança.
Não sei como explicar aquilo que sinto... Sei apenas que sinto e sinto demasiado.
Sinto tanto, que acabo por sofrer com o que sinto.
A falta faz-me sentir tão sozinha, no meio de tanta gente. Mas não existe ninguém que perceba como vocês me percebiam, apenas com o olhar. Ninguém para se rir das mais pequenas expressões, interjeições ou até mesmo ironias.
Penso muitas vezes que é desta: é desta que me deixam e vão partir, porque todos nós seguimos rumos diferentes, e nós não somos diferentes... Todavia, somos únicas, quando sabemos bem que o esforço é quase nulo quando nos entregamos a esta corrente de união que une 6 mulheres há 8 anos. Quando o esforço é maior, quando vemos que a corrente é contraria a nossa maré.
Quando sabemos o quanto damos de nós a cada uma...
Perfeita noção, temos nós, quando o que todas procuramos é o mesmo porto de abrigo que nos acolheu há 8 anos atrás.
O que nos juntou, não é o mesmo que nos separa, mas é o mesmo que nos traz de volta alguma réstia de esperança do que ficou, para revivermos. Vivemos agarrados por algo que nos faz acreditar, faz parte da essência do Ser Humano, acreditar em algo que nos faça sentir seguro.
Orgulho é o que sinto por vocês...
Saudade é o que me corrói....
Insegurança por me querer voltar a sentir, novamente segura nos vossos braços, sermões, sorrisos e mal-entendidos, vozes da razão e gargalhadas partilhadas.
Todos nós com os nossos defeitos!
Cometidos os erros... Erros ainda por cometer...
Há sempre forma de encontrar o perdão, mas no perdão do afastamento é sempre inseguro o esquecimento, para que tudo se recomponha.
Já foi mais facil, já se tornou mais dificil...
Ainda procuro largar a nostalgia e passar a viver aquilo que, hoje me deixa melancólica.
Não há nada que vos leve do meu coração encarcerado, fechado a 7 chaves. Contudo, também já houve muito que vos mantivesse unidas no espaço do meu peito.
A vocês me entreguei: entreguei a chave da porta da minha vida e não ficará entre-aberta, porque para vocês estará aberta para entrarem e fechada  para que sair, não seja mais uma opção, a não ser que o motivo seja a infelicidade.
Não me larguem, por favor!
Não me deixem voar, sem voar uma vez convosco e, retornar ao voo a meio caminho!
Não há borracha que apague o que eu escrevi convosco, mas também não há caneta permanente que faça durar para sempre.
"É eterno enquanto durar", assim o dizem... Por favor, duremos para sempre?
"São meras palavras, escritas pelo tempo"  correu tão natural que me faz ambicionar e querer mais do que aquilo que nunca me prometeram.
Até o silêncio dos nossos momentos, acabaram por me parecerem promessas feitas e esperança acumulada que me mantém feliz. Ou, pelo menos, quando o pensamento não vagueia cheia de duvidas e inseguranças que atormentam as certezas de anos.
Mulheres da minha vida são vocês, são a minha força!
Sem a corrente que nos une, eu quebro asa e perco a sabedoria de voar, ou pelo menos, de saber qual o meu rumo agora.
Resta-me acreditar, depois de duvidar parvamente e temporariamente, que um dia tudo voltará, que a amizade que nos uniu, será a mesma que me ancora, ainda nos dia de hoje....
Que a mulher que sou, poderei partilhar convosco e ser o melhor que posso para cada uma de vocês.
Por favor:
Não há pagina que voe à minima brisa, sem que haja um marcador, rochedo, papiro que proteja.
Não há abrigo sem que haja um porto, uma casa.
Eu escolhi como casa o vosso coração, anseio que não pare de bombear pela nossa amizade.
Adoro-nos, adoro-me quando vos tenho e mais importante: ADORO-VOS
Acho que "sofro" da chamada: Crónica de uma Amizade intemporal



"We are the reckless
We are the wild youth
Chasing visions of our futures
One day we'll reveal the truth"
Youth- Daughter

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um sorriso com muitas lacunas


“Percebi que os sorrisos servem para uma data de coisas, como por exemplo para tapar buracos que aparecem quando o mar das palavras se transforma em deserto”- Lua de Joana



Sofremos todos do mesmo: dum mar de memórias, de palavras, de vivências das quais não podemos ver-nos livres, mesmo que fosse essa intenção.
Preenchemos as lacunas do nosso sofrimento da melhor forma que conseguimos, mesmo seja essa a pior forma.
Sofremos todos do paradoxo: não queremos viver com... nem podemos viver sem...
Somos tremedamente adaptativos como assim manda a lei da vida, da sobrevivência, neste mundo de "loucos".
Esboçamos sorrisos de todas as formas, de todos os tipos e por todas as razões. Sinceros ou não... Nem ponho isso em questão.
Nem sempre as palavras conseguem expressar tudo, nem sempre chegam, nem sempre nos ocorrem no pensamento. Quando isso acontece, tenho a certeza absoluta que, num mar de palavras, acabo por ficar em pleno deserto. E a tendência que tenho: ^Sorrir. Mesmo que seja um sorriso duvidoso, indeciso, confuso, confiante...
Quando preciso de ter fé naquilo que perdi, animo-me com o som duma gargalhada.
Sofremos todos por perder aquilo que nos habituamos/habituaram a ter, porque nunca nos vimos sem...
Mas também sofremos todos do mesmo mal: Habituarmo-nos rapidamente àquilo que nos deixa abatidos.
Comodidade, Conformidade, hábito, costume... Há primeira vista, inócuas. Com outra visão: fazem-nos perceber que realmente caímos numa realidade a que nos sujeitam e não aquela que queremos criar.
Desistimos muito cedo, mas não gostamos de desistir.
Saber de ante-mão que não vale a pena é uma coisa, desistir porque achamos que a vida é assim é, de facto, e atrevo-me mesmo a dizer, ignorância.
Nem tudo podemos pôr por palavras, nem me atrevo a fazê-lo (aquelas que vamos buscar ao nosso "dicionário de vocábulos"), se assim fosse, seriamos claramente censurados.
Sofremos todos por complicar tanto o que é tão simples, mas temos de admitir, há coisas que tornam o labirinto impossível de percorrer, nem com mapa.
Eu cá não sofro por sorrir, não sofro por gostar de preencher lacunas.
De vez em quando, percorro o baú, de vez em quando tendo a fechá-lo a sete chaves.
Não sei o que é melhor ou pior. Sei que meio termo é coisa que fica dificil de encontrar no meio desta insanidade.
Tapamos buracos com receio de relembrar a verdade. No entanto, considero que dentro da verdade, haja várias verdades que se completam.
Assim como eu me completo quando relembro o baú e como quando decido-o fechar por uns tempos.
Continuo sem saber o que me define: se o relembrar, se o viver... Talvez um pouco dos dois... Vou permanecer algum tempo sem saber.  
Contudo, há algo de muito caraterístico em todos nós: a forma como sorrimos, como encaramos o sorriso e como o ouvimos/vemos.
Meros desvaneios e desabafos de um sorriso que preenche as lacunas que, a memória vai tendendo a "esconder" o mar de palavras que se tornou num deserto ao olhos de quem não as entende, não as consegue usar, ou ouvir. Outras questões se levantaram, mas isso agora, não interessa mesmo nada...